especialista em Meta Ads Rodrigo Mendes

O Advantage+ funciona, mas tem um problema, segundo especialista em Meta Ads Rodrigo Mendes

O Meta vem investindo cada vez mais em automação. Entre os recursos mais promovidos pela plataforma está o Advantage+, que promete simplificar a criação e otimização de campanhas usando inteligência artificial.

Mas será que entregar toda a operação para o algoritmo é realmente a melhor decisão?

Em um bate-papo no Martincast, Rodrigo Mendes compartilhou sua visão prática sobre o assunto. A resposta dele é clara: o Advantage+ funciona muito bem, especialmente para e-commerce, mas existe um problema que muitos anunciantes ignoram.

O Advantage+ está entregando resultados reais para e-commerce

Segundo Rodrigo, um dos formatos que mais performam atualmente para lojas virtuais é o catálogo dinâmico de produtos.

Na prática, o Meta utiliza as informações do catálogo integrado via Shopify, VTEX ou Magento para exibir automaticamente produtos que o usuário já visitou, adicionou ao carrinho ou tem maior probabilidade de comprar.

Esse modelo funciona de forma semelhante ao Google Shopping, utilizando o feed de produtos para personalizar a entrega dos anúncios.

Hoje, em muitas operações de e-commerce, esse formato já recebe a maior parte do investimento em mídia, justamente porque consegue gerar vendas de forma consistente.

O problema: você perde visibilidade sobre o que está acontecendo

Apesar dos bons resultados, Rodrigo faz um alerta importante.

O Advantage+ é uma verdadeira caixa-preta.

O anunciante consegue visualizar informações básicas como:

  • Idade do usuário.
  • Gênero.
  • Plataforma utilizada (Facebook ou Instagram).

Mas perde acesso a informações mais detalhadas sobre interesses e comportamentos que anteriormente podiam ser controlados por segmentações manuais.

Isso significa que o algoritmo toma decisões importantes sem mostrar exatamente quais critérios utilizou para encontrar os compradores.

Para muitos anunciantes, isso não é um problema.

Para gestores mais experientes, porém, essa falta de transparência pode limitar análises e estratégias futuras.

Quando a inteligência artificial começa a atrapalhar

O ponto mais crítico levantado por Rodrigo não está na entrega da campanha.

Está nos criativos.

Hoje o Advantage+ oferece diversas otimizações automáticas que alteram elementos dos anúncios sem intervenção do anunciante.

Entre elas:

  • Mudança de imagens.
  • Expansão automática de criativos.
  • Alteração de contraste.
  • Mudança de fundos.
  • Ajustes em botões e chamadas para ação.
  • Variações automáticas de texto.

A teoria é excelente.

Na prática, nem sempre funciona.

Um caso real que reduziu CTR e vendas

Rodrigo compartilhou um exemplo que chamou atenção.

Em uma campanha de e-commerce, o Meta ativou automaticamente um recurso que escondia o botão de compra nos primeiros segundos da visualização do anúncio.

A justificativa da plataforma era aumentar o engajamento antes da visita ao site.

O resultado?

Queda significativa no CTR e redução nas vendas.

O comportamento dos consumidores era simples: eles viam o produto, queriam comprar imediatamente e não encontravam a ação disponível.

O algoritmo acreditava estar melhorando a experiência.

Os dados mostraram exatamente o contrário.

Quando a IA decidiu alterar o produto sem autorização

Outro caso citado envolveu a funcionalidade de expansão automática de imagens.

O Meta identificou uma foto de produto que, segundo o algoritmo, poderia ser otimizada.

A plataforma ampliou a imagem, modificou o enquadramento e trocou o fundo branco original por um cenário semelhante a uma bancada de madeira.

Além disso, a imagem ficou pixelada.

O cliente não gostou.

A equipe inicialmente acreditou que o erro havia sido cometido pelo designer.

Depois descobriram que a alteração tinha sido feita automaticamente pela inteligência artificial da plataforma.

Esse é exatamente o tipo de situação que preocupa profissionais mais experientes.

A estratégia que Rodrigo utiliza hoje

A abordagem adotada por Rodrigo é bastante objetiva:

Ele utiliza a inteligência do Advantage+ para encontrar compradores e otimizar a entrega.

Mas mantém controle total sobre tudo que o usuário vê.

Isso significa desativar recursos automáticos que alteram:

  • Criativos.
  • Imagens.
  • Botões.
  • Textos.
  • Contrastes.
  • Elementos visuais.

Segundo ele, a inteligência da campanha pode ajudar muito.

Já a inteligência criativa ainda está longe de substituir o olhar humano.

Advantage+ é melhor para pequenas empresas?

Na visão de Rodrigo, sim.

Empresas menores costumam ter menos recursos, menos equipe e menos capacidade de produzir criativos constantemente.

Nesses casos, deixar que o Meta automatize grande parte do processo pode gerar resultados satisfatórios.

Já empresas maiores possuem:

  • Equipes de marketing estruturadas.
  • Designers dedicados.
  • Gestores de tráfego especializados.
  • Processos de otimização mais avançados.

Por isso, conseguem obter melhores resultados mantendo mais controle sobre a operação.

A conclusão

O Advantage+ não é o vilão.

Pelo contrário.

Ele representa uma evolução importante da publicidade digital e vem gerando excelentes resultados para milhares de e-commerces.

O problema surge quando o anunciante entrega absolutamente tudo para a plataforma.

A automação pode ajudar na distribuição e na entrega dos anúncios.

Mas quando falamos de posicionamento, criatividade e experiência do usuário, ainda existe muito valor no controle humano.

A lição deixada por Rodrigo Mendes é simples:

Use a inteligência artificial para acelerar o que ela faz bem.

Mas não abra mão das decisões que impactam diretamente a percepção do seu cliente e a performance do seu negócio.

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