Flavia Crizanto durante Martincast

Busca com IA no Google: por que a mudança definitiva ainda é complexa

A busca com IA no Google já deixou de ser apenas uma previsão sobre o futuro. O Google vem incorporando respostas generativas, perguntas complementares e experiências conversacionais diretamente à Busca. Mas isso significa que os tradicionais resultados com links estão prestes a desaparecer?

Esse é o ponto central de uma discussão entre Flávia Crizanto, fundadora da Experta, jornalista e especialista em Digital PR, backlinks e construção de autoridade, e John Martin, apresentador do Martincast.

No corte, os dois discutem por que uma mudança completa para uma interface essencialmente conversacional envolve muito mais do que tecnologia. Entram nessa equação a precisão das respostas, a responsabilidade sobre informações geradas por IA, a confiança do usuário, a importância das fontes e até o modelo de publicidade do Google.

https://youtu.be/4MxeQy3ZhE0

Busca com IA no Google não significa o fim imediato dos links

Uma das principais ideias levantadas no debate é a diferença entre um mecanismo de busca tradicional e uma ferramenta que entrega uma resposta pronta.

Na busca clássica, o Google apresenta diferentes resultados e o usuário decide qual deles acessar. Isso cria uma camada importante de autonomia: é possível avaliar quem publicou a informação, comparar fontes e formar uma conclusão.

Em uma experiência conversacional, a dinâmica muda. A plataforma consulta diferentes informações, sintetiza o conteúdo e apresenta uma resposta diretamente ao usuário.

É uma diferença pequena na interface, mas enorme em termos de percepção.

Como John observa durante a conversa, quando o Google mostra dez links, o usuário escolhe onde clicar. Quando a própria plataforma formula uma resposta, a sensação de que “foi o Google que respondeu” tende a ser muito maior.

Essa mudança aumenta o peso de três elementos: confiança, atribuição e responsabilidade.

O problema da confiança nas respostas geradas por IA

Sistemas de inteligência artificial generativa podem produzir respostas convincentes mesmo quando uma informação está incompleta, fora de contexto ou incorreta.

Esse problema se torna especialmente delicado em buscas relacionadas a temas como saúde, finanças, legislação ou segurança.

Flávia usa justamente um exemplo relacionado à saúde para mostrar o risco de um usuário receber uma orientação, confiar rapidamente nela e agir sem verificar a fonte. O ponto não é o exemplo específico, mas o comportamento que ele representa: muitas pessoas não analisam uma resposta de IA com o mesmo nível de ceticismo que usariam ao avaliar diferentes páginas na internet.

“O usuário vai acreditar 100% no Google.”

A frase de John sintetiza um dos principais desafios da busca generativa: quanto mais simples e convincente a resposta, menor pode ser o incentivo para verificar como ela foi construída.

Por isso, links e referências continuam tendo importância estratégica.

Por que os links continuam importantes na era da IA

O avanço das respostas generativas chegou a criar previsões de que backlinks e resultados orgânicos perderiam rapidamente sua relevância.

Na prática, porém, a lógica de autoridade continua importante.

Uma resposta de IA precisa se apoiar em informações disponíveis em diferentes fontes. Isso torna elementos como reputação, autoridade temática, menções de marca, conteúdo original e presença editorial ainda mais relevantes para empresas que querem ser encontradas.

O próprio Google vem destacando links em suas experiências generativas. Em maio de 2026, a empresa anunciou novas formas de apresentar sites, conteúdo original e fontes dentro do Modo IA e das Visões Gerais criadas por IA.

Em junho, o Google afirmou que as AI Overviews já ultrapassavam 2,5 bilhões de usuários ativos mensais, enquanto o Modo IA havia superado 1 bilhão de usuários mensais. Ao mesmo tempo, a empresa anunciou novos recursos para proprietários de sites acompanharem e controlarem melhor sua presença nesse novo ambiente.

Ou seja: a IA muda a forma como a informação é apresentada, mas não elimina a necessidade de existir uma fonte por trás dela.

O que isso muda para SEO e Digital PR?

Para profissionais e agencias de marketing digital, a consequência é importante.

O objetivo deixa de ser apenas conquistar uma boa posição para determinada palavra-chave. Também passa a envolver a construção de sinais capazes de fazer uma empresa ser reconhecida como uma fonte confiável dentro de determinado assunto.

Isso aproxima ainda mais SEO, Digital PR e construção de autoridade.

Algumas prioridades passam a ganhar peso:

  • produzir conteúdo original e realmente especializado;
  • conquistar menções e links em veículos relevantes;
  • desenvolver autoridade temática de maneira consistente;
  • fortalecer a associação entre marca, especialistas e determinados assuntos;
  • facilitar a compreensão das informações e das entidades presentes no site.

Nesse cenário, backlinks não devem ser vistos apenas como um mecanismo para aumentar rankings. Eles também fazem parte de um ecossistema de reputação e descoberta.

O Google já está caminhando para uma busca conversacional

Quando o corte foi gravado, Flávia defendia que uma mudança completa poderia levar mais tempo do que parte do mercado imaginava, justamente porque o Google ainda teria vários problemas para resolver.

seo pesquisa

Desde então, a transformação avançou rapidamente.

Em setembro de 2025, o Google começou a disponibilizar o Modo IA em português do Brasil, permitindo perguntas mais complexas e conversas por meio de perguntas complementares.

Em janeiro de 2026, a empresa aprofundou a integração entre AI Overviews e Modo IA, tornando mais natural continuar uma pesquisa em formato de conversa.

No Google I/O de maio de 2026, a companhia anunciou uma caixa de busca redesenhada com IA e informou que o Modo IA havia ultrapassado 1 bilhão de usuários mensais. Ainda assim, o próprio anúncio enfatizou que a experiência continuaria oferecendo uma variedade de resultados e links para explorar a web.

Essa distinção é fundamental.

A questão já não é simplesmente “o Google terá busca conversacional?”. Isso já está acontecendo.

A pergunta mais interessante é: até que ponto a experiência conversacional substituirá, ou apenas complementará, a arquitetura tradicional da Busca?

Publicidade também entra nessa equação

John levanta outro ponto estratégico: o modelo de negócios.

Se uma IA passa a recomendar diretamente produtos, serviços ou empresas dentro de uma resposta, como diferenciar uma recomendação algorítmica de uma exposição patrocinada? E como preservar a confiança do usuário nesse ambiente?

O Google já vem adaptando seus produtos publicitários à nova realidade da Busca. Em 2026, por exemplo, continuou expandindo o uso de IA em campanhas de pesquisa por meio do AI Max.

Isso mostra que a transformação da Busca não pode ser analisada apenas sob o ponto de vista tecnológico. Ela envolve simultaneamente experiência do usuário, SEO, publishers, anunciantes, atribuição de fontes e monetização.

A busca está mudando, mas autoridade continua sendo o ativo central

O debate entre Flávia Crizanto e John Martin deixa uma conclusão especialmente relevante para quem trabalha com marketing digital: independentemente do formato da interface, ser reconhecido como uma fonte confiável continuará sendo essencial.

Os tradicionais dez links podem perder espaço em determinadas pesquisas. Respostas geradas por IA podem assumir uma parcela cada vez maior da jornada. O usuário também pode fazer perguntas muito mais longas, específicas e conversacionais.

Mas alguém ainda precisa fornecer a informação que sustenta essas respostas.

É justamente nesse ponto que SEO, conteúdo, backlinks, Digital PR e construção de autoridade passam a convergir.

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