Amanda Noronha durante podcast Martincast

SEO técnico: 5 sinais de que o seu site está sendo ignorado

Um site pode ter bons conteúdos, produtos competitivos e uma estratégia de marketing bem definida e, ainda assim, apresentar resultados abaixo do esperado. Em muitos casos, o problema está no SEO técnico, conjunto de práticas que ajuda os mecanismos de busca a rastrear, interpretar e indexar corretamente as páginas.

Em uma conversa no Martincast, Amanda Noronha, especialista em SEO Técnico, e John Martin debatem por que essa área costuma ser deixada em segundo plano pelas empresas. Enquanto equipes investem em conteúdo, palavras-chave e mídia paga, problemas estruturais permanecem escondidos e impedem que páginas importantes conquistem visibilidade.

A seguir, veja cinco sinais de que o SEO técnico do seu site pode ter sido ignorado.

https://www.youtube.com/watch?v=-Ajs0Gj3E3k

O que é SEO técnico?

SEO técnico envolve os elementos que facilitam o acesso dos mecanismos de busca ao site. Isso inclui rastreamento, indexação, arquitetura da informação, sitemaps, arquivos de controle, tags canônicas, dados estruturados e outras configurações que influenciam a compreensão das páginas.

Durante o corte, Amanda apresenta uma definição prática:

“Para mim, SEO técnico é tudo que auxilia o site a ser melhor rastreado ou indexado.”

Essa visão ajuda a diferenciar tarefas editoriais de intervenções que exigem conhecimento mais especializado. Alterar um título ou uma meta description, por exemplo, costuma ser uma operação simples dentro de um sistema de gerenciamento de conteúdo. Já implementar dados estruturados, diagnosticar problemas de indexação ou modificar o arquivo robots.txt pode exigir experiência técnica e, em alguns casos, apoio de um desenvolvedor.

A divisão não é absoluta. O ponto central é entender quais elementos o time de conteúdo consegue administrar sozinho e quais dependem de conhecimento sobre código, rastreamento e funcionamento dos mecanismos de busca.

Como identificar se o SEO técnico do seu site foi ignorado

Problemas técnicos nem sempre são visíveis para quem administra o conteúdo no dia a dia. Muitas vezes, eles aparecem apenas quando páginas importantes deixam de gerar tráfego, produtos não são encontrados ou o site apresenta resultados abaixo do esperado.

Os sinais a seguir ajudam a identificar quando o SEO técnico foi deixado em segundo plano e indicam quais pontos merecem ser investigados em uma auditoria.

5. A empresa não utiliza o Google Search Console

O Google Search Console é uma das principais fontes de informação sobre a presença de um site na busca orgânica. Ele permite acompanhar páginas indexadas, identificar erros, verificar consultas que geram impressões e entender como o Google está interpretando determinadas URLs.

Um sinal preocupante é descobrir que a empresa nunca configurou a ferramenta ou que ninguém acompanha seus relatórios.

Sem esse monitoramento, o time pode tomar decisões com base apenas em tráfego, vendas ou posições observadas de forma superficial. Uma página pode parecer fraca comercialmente quando, na realidade, nem sequer está indexada corretamente.

O primeiro passo é verificar se o domínio está configurado, se todas as versões relevantes do site estão sendo monitoradas e se existem alertas relacionados a rastreamento, indexação ou experiência das páginas.

4. O sitemap nunca foi enviado ou atualizado

O sitemap é um arquivo que apresenta aos mecanismos de busca uma lista organizada das URLs relevantes do site. Ele não garante a indexação, mas facilita a descoberta de páginas e oferece uma referência importante para auditorias.

No episódio, Amanda menciona que encontra empresas com estratégias avançadas de conteúdo, mas que nunca enviaram um sitemap.

Esse cenário é especialmente problemático em sites grandes, como e-commerces, portais, marketplaces ou plataformas com páginas criadas frequentemente. Quando o sitemap está ausente, desatualizado ou contém URLs incorretas, o mecanismo de busca pode ter dificuldade para identificar quais páginas devem receber prioridade.

Uma revisão deve observar se o arquivo:

  • contém somente URLs relevantes e indexáveis;
  • é atualizado quando novas páginas são publicadas;
  • não apresenta redirecionamentos ou páginas com erro;
  • está acessível e foi enviado corretamente ao Search Console;
  • possui versões específicas quando o site trabalha intensamente com vídeos, notícias ou imagens.

No caso de empresas que produzem muito conteúdo em vídeo, Amanda também destaca a possibilidade de criar um sitemap específico para esse formato.

3. Produtos ou páginas são descartados sem investigar a indexação

Uma página com baixo desempenho nem sempre representa um produto ruim, uma palavra-chave inadequada ou falta de interesse do público.

Antes de abandonar uma página, é necessário verificar se ela pode ser encontrada, rastreada e indexada.

Esse é um dos principais alertas levantados no debate. Amanda relata situações em que empresas consideravam retirar a prioridade de determinados produtos, mas o problema estava na rastreabilidade das páginas. Ou seja: o conteúdo existia, mas o mecanismo de busca não conseguia acessá-lo ou interpretá-lo corretamente.

Antes de tomar uma decisão comercial, vale analisar:

  • se a URL está indexada;
  • se há bloqueios no robots.txt;
  • se existe uma tag noindex;
  • se a canonical aponta para outra página;
  • se a URL recebe links internos;
  • se o conteúdo é acessível sem depender de interações complexas;
  • se existem erros de servidor ou redirecionamentos inadequados.

Essa investigação evita que decisões estratégicas sejam tomadas com base em dados incompletos.

2. Os dados estruturados são usados sem estratégia

Dados estruturados são marcações adicionadas ao código para ajudar os mecanismos de busca a compreender o significado de uma página. Eles podem indicar que determinado conteúdo representa um produto, uma organização, um artigo, um evento, uma receita ou outro tipo de entidade.

A implementação, no entanto, não deve ser feita apenas porque uma marcação está disponível.

“Tem que ver se faz sentido, se não vai dar conflito.”

A observação de Amanda reforça que não basta adicionar o maior número possível de marcações. Cada dado estruturado precisa representar fielmente o conteúdo visível da página e estar alinhado ao objetivo do site.

Uma implementação inadequada pode gerar inconsistências, duplicidades e conflitos entre diferentes tipos de marcação. Por isso, o profissional precisa avaliar quais propriedades são relevantes, validar o código e acompanhar possíveis avisos ou erros.

Também é importante manter essas informações atualizadas. Em uma página de produto, por exemplo, preço, disponibilidade e avaliações não devem divergir do conteúdo apresentado ao usuário.

1. O SEO é tratado de forma isolada

Outro sinal de abandono técnico é quando SEO, conteúdo, desenvolvimento, redes sociais e mídia trabalham como áreas completamente separadas.

Amanda defende uma abordagem holística: mesmo sendo uma profissional técnica, ela observa o site como um todo. Durante uma auditoria, analisa não apenas configurações, mas também formatos de conteúdo, presença em vídeo, redes sociais e capacidade de produção da empresa.

Essa visão é importante porque decisões técnicas dependem da estratégia do negócio.

Uma empresa que já produz vídeos pode aproveitar esse material em páginas, artigos e sitemaps específicos. Uma marca com redes sociais maduras provavelmente possui uma linguagem e uma persona mais bem definidas, o que facilita a criação de conteúdos consistentes. Um time que investe em mídia paga pode usar os aprendizados das campanhas para identificar temas e páginas com potencial orgânico.

O SEO técnico não substitui conteúdo, branding ou distribuição. Ele cria as condições para que esses esforços sejam encontrados e compreendidos.

Como começar uma auditoria de SEO técnico

Uma auditoria deve começar por uma visão ampla do site. Em vez de analisar somente erros isolados, é necessário entender como páginas, conteúdos, produtos e tecnologias se relacionam.

Alguns pontos iniciais incluem:

Rastreamento e indexação

Verifique quais páginas podem ser acessadas pelos robôs, quais estão indexadas e quais apresentam bloqueios ou inconsistências.

Arquitetura e links internos

Analise se as páginas importantes estão próximas da navegação principal e se recebem links de outras áreas do site.

Canonicals e duplicidade

Confirme se páginas semelhantes indicam corretamente suas versões principais e se não há disputas entre URLs duplicadas.

Dados estruturados

Valide as marcações existentes e mantenha apenas aquelas que representam o conteúdo real de cada página.

Integração com conteúdo e negócio

Avalie se os formatos produzidos pela empresa podem ser aproveitados de maneira mais estratégica no site.

A auditoria não deve terminar em uma lista extensa de erros. O ideal é transformar os achados em prioridades, considerando impacto, urgência, esforço técnico e relevância para o negócio.

SEO técnico é a base para o conteúdo gerar resultados

Investir em conteúdo sem revisar a estrutura técnica é como criar uma excelente loja em um endereço que ninguém consegue encontrar.

O SEO técnico garante que páginas relevantes estejam acessíveis, organizadas e compreensíveis para os mecanismos de busca. Quando essa base é ignorada, produtos podem ser descartados injustamente, conteúdos deixam de aparecer e decisões de marketing são tomadas sem uma visão completa do problema.

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